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ToggleMinas Gerais é o berço incontestável da raça Mangalarga Marchador. Conhecidos por sua marcha indescritível e resistência admirável, esses animais exigem um manejo nutricional à altura de sua nobreza. No entanto, garantir a saúde digestiva e o vigor físico de um plantel de elite sempre representou um desafio complexo para os criadores, especialmente no que diz respeito à base da alimentação equina: a pastagem.
Neste estudo de caso, vamos revelar como um tradicional haras localizado no sul mineiro conseguiu transformar radicalmente a saúde e a performance dos seus animais. O segredo? A implementação rigorosa de um sistema de pastagem rotacionada, abandonando métodos ultrapassados e apostando na ciência do pastejo.
O Contexto: A Tradição em Xeque no Haras Bela Vista
Fundado há mais de três décadas, o Haras Bela Vista sempre se orgulhou de criar cavalos campeões de pista. Contudo, nos últimos anos, a propriedade começou a enfrentar problemas que intrigavam a equipe técnica. Casos esporádicos de cólica, queda leve no escore corporal de éguas prenhas e uma variação indesejada na qualidade dos cascos colocavam em risco a reputação do plantel.
O modelo de gestão de forragens utilizado era o tradicional pasto contínuo. Os animais permaneciam grandes períodos nas mesmas piquetes, o que gerava um desgaste severo do solo e um consumo desregulado. O capim crescia em touceiras duras nas áreas menos visitadas, enquanto as regiões preferidas pelos cavalos eram rebaixadas até a raiz.
O Problema: O Ciclo Vicioso da Alimentação Inadequada
O diagnóstico veterinário apontou que a raiz dos problemas de saúde estava diretamente ligada à nutrição. O sistema de pastagem contínua trazia consequências diretas:
- Consumo seletivo: Os cavalos buscavam apenas os brotos mais tenros, deixando de lado as fibras essenciais e ingerindo terra e parasitas nas áreas rapadas.
- Falta de descanso do solo: Sem tempo para se recuperar, o capim perdia valor nutricional, tornando-se pobre em proteínas e minerais fundamentais.
- Gastos excessivos: Para compensar a baixa qualidade do pasto, o haras precisava suplementar pesadamente com ração concentrada e silagem de milho, elevando os custos de produção.
Era preciso uma mudança drástica. O proprietário decidiu que a solução não viria do aumento de insumos artificiais, mas sim da otimização do recurso natural mais precioso da fazenda: a terra e o capim.
A Solução: Revolução Verde com a Pastagem Rotacionada
A transição para a pastagem rotacionada exigiu planejamento agronômico e investimento em infraestrutura de cercas e bebedouros. Os grandes piquetes foram divididos em dezenas de pequenas parcelas (piquetes menores), calculadas estrategicamente para suportar a carga animal por períodos curtos.
O manejo do pastejo equino
Diferente do gado bovino, os equinos têm hábitos de pastejo muito mais seletivos — eles usam os dentes incisivos para cortar o capim rente ao solo, o que pode destruir a pastagem se mal gerido. No Haras Bela Vista, o sistema foi desenhado com base no ciclo vegetativo da forrageira (principalmente capim-Tifton 85 e Mombaça).
Os cavalos entravam nos piquetes quando a forragem atingia cerca de 35 a 40 centímetros de altura e eram retirados assim que o pasto baixava para 15 centímetros. O período de descanso variava entre 25 a 40 dias, dependendo do regime de chuvas. Esse intervalo quebrava o ciclo de parasitas internos, reduzia a necessidade de vermífugos químicos e permitia que o solo recebesse adubação natural através das fezes e urina, espalhadas uniformemente.
Resultados Surpreendentes: Saúde e Economia
Os reflexos da nova estratégia nutricional apareceram rapidamente, transformando a rotina do haras em menos de um ano de implementação.
Primeiramente, a incidência de distúrbios digestivos despencou. As cólicas, antes o pesadelo da equipe veterinária, praticamente desapareceram devido à oferta constante de fibra de boa qualidade e ao fim do consumo acidental de terra. Além disso, o desenvolvimento dos potros tornou-se muito mais homogêneo.
Outro ponto de destaque foi a economia financeira. Com o pastejo rotacionado, a produtividade da forragem aumentou em quase 60%. O haras conseguiu reduzir significativamente o volume de ração concentrada e silagem comprada fora, provando que uma alimentação equina baseada em pastagem de alta qualidade é não apenas viável, mas altamente lucrativa.
Conclusão
O case de sucesso do Haras Bela Vista demonstra que a inovação na equinocultura muitas vezes reside no retorno ao manejo inteligente da terra. Ao substituir o pastejo contínuo pela pastagem rotacionada, a propriedade mineira não apenas solucionou gargalos sanitários críticos, mas também elevou o bem-estar e o potencial atlético dos seus cavalos Mangalarga Marchador a um novo patamar de excelência.
Em suma, a revolução na saúde equina provou que o melhor “medicamento” para o cavalo é, e sempre será, um pasto saudável, manejado com técnica, respeito ao meio ambiente e visão estratégica. Para os criadores que buscam sustentabilidade e alta performance, a rotação de piquetes deixou de ser um diferencial e passou a ser uma exigência indispensável.






